Três Conselhos de Sabedoria em Provérbios 30 - Primeiro Conselho: Uma vida que busca a humildade
- Débora Venturini
- há 11 horas
- 8 min de leitura

(imagem criada com IA)
A palavra “Provérbio” significa “ser como”, também refere-se a “ditos curtos e concisos” que revelam verdades gerais de sabedoria prática. Na Bíblia, o livro de Provérbios é considerado uma coletânea de comparações entre coisas quotidianas e comuns e as verdades mais profundas da vida. São ilustrações simples e morais que ensinam lições fundamentais acerca da vida.
O livro começa com a declaração de que são Provérbios de Salomão, filho de David, Rei de Israel. Nesse sentido, temos um livro com quinhentos dos mais importantes provérbios de sabedoria escritos ou colecionados por Salomão, mas com a inspiração de Deus.
Dessa forma, Provérbios procura ensinar o temor do Senhor, que é o princípio da sabedoria, e a forma como os homens devem viver pela sabedoria Divina, como um “estilo de vida” daqueles que temem e amam ao Senhor.
Além de Salomão, e a sua provável “edição” de conselhos de sabedoria antigos, encontramos mais dois autores, nos últimos dois capítulos do livro de Provérbios: Agur, no capítulo 30, e o Rei Lemuel, no capítulo 31.
Agur
Esta emblemática figura que aparece pela primeira e única vez em Provérbios 30, tem sido alvo de uma pesquisa pessoal pelo significado deste nome e alguma ideia de quem teria sido este homem que parece odiar a arrogância e que demonstra uma humildade admirável.
Infelizmente, o texto nos dá muito pouco, algo obviamente propositado, tendo em conta que não importava quem Agur era, mas sim as divinas palavras que ele referiu a Itiel e a Ucal.
Temos apenas pedaços de ideias, que nos podem levar a algumas hipóteses.
O nome Agur tem raiz hebraica, ou de uma língua semita, no entanto, a tradução que muitos fazem “de Massá”, no primeiro versículo, pode ser interpretada como uma região, que segundo o Dicionário Wycliffe, era uma tribo árabe, de Ismael, pois levava o nome de um dos seus filhos (Gn.25:14). Segundo estudiosos Assiriologistas, Massá era um distrito entre a Judeia e a Babilónia, um lugar com rastros de vida nómada ou semi nómada. Se essa interpretação estiver certa, podemos dizer que o nosso autor de Provérbios 30 era um estrangeiro. Alguns, no entanto, traduzem a mesma palavra como, “profecia ou declaração profética”, e acreditam que esse é o sentido, tendo em conta que foi referida a dois homens, que também não sabemos quem são, talvez alunos deste sábio.
Pessoalmente, a ideia de Agur ser estrangeiro faz muito sentido, tendo em conta que provavelmente Lemuel, o escritor de Provérbios 31 também não era de Israel, aliás, se a interpretação estiver correta, Lemuel era Rei de Massá, de onde Agur também vinha. E, tendo em conta o contexto, também poderíamos supor que ambos eram estrangeiros, visto que em 1 Reis 4:34 diz que pessoas de todos os povos iam ouvir a sabedoria de Salomão, “da parte de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria”. Será Agur uma dessas pessoas? Talvez enviado pelo seu rei? Ou por vontade própria? Não sabemos, afinal não é o objetivo do texto.
Para concluir, o significado do seu nome pode ser “Colecionador” ou “Coletor”, nesse sentido, o nome pode também significar alguém que coleciona ou coleta, no sentido de buscar e guardar, sabedoria ou saber.
Conselhos de Sabedoria
Agur começa o capítulo a falar como ele é “estúpido”, ele reconhece a sua ignorância e insignificância. É como se ele estivesse a estudar até fartar-se, mas sem sucesso, pois por causa da sua “burrice” ele não adquiria o conhecimento.
“Não aprendi a sabedoria”, ele não havia sido ensinado nas escolas de sabedoria, nem tinha o conhecimento do Santo, que pode ser interpretado como O Santo, no sentido de Deus, ou a alguém santo, como os profetas. É como se Agur estivesse a dizer: “Não tenho as inspirações divinas que os profetas, estritamente chamados, receberam”, visto que o seu escrito pode ser considerado uma profecia, dependendo da tradução de “massá”.
Agur fala de si mesmo “como alguém que deseja a revelação para o guiar nos caminhos da verdade e da sabedoria”. É como uma oração humilde por direção, na qual ele busca e anseia pela Sabedoria Divina.
De tantos conselhos de sabedoria que Provérbios 30 nos ensina, nesta série vamos falar de apenas três dos mais importantes, que poderiam ser uma síntese de todo o capítulo.
Primeiro Conselho: Uma vida que busca humildade
Provérbios 30:2-3 / 11-14 / 21-23
Além da sua humildade ao dizer que ele é “estúpido demais” para aprender a sabedoria, que vem apenas de Deus, Agur demonstra uma repulsa para com a arrogância e a impiedade. Ele acusa quatro grupos de pessoas que apontam para esse comportamento horrível: os filhos que desonram os pais; os hipócritas; os arrogantes - olham com desdém para os outros; e os opressores perversos (Pv. 30:11-14).
Nos versículos de 21 a 23 (segundo o comentário do Benson), Agur fala sobre quatro coisas que são insuportáveis e intoleráveis para as sociedades humanas: um servo quando reina, pois é ignorante e inadequado para ser colocado nessa posição de poder: “é pobre e, por isso, insaciável; é orgulhoso e autoritário, e geralmente injurioso e cruel”; o insensato quando está farto de pão, pois é vaidoso e mau: a sua comida e bebida dão-lhe força e o incitam a fazer atos de maldade; uma mulher odiosa quando se casa, pois é orgulhosa e perversa: o casamento é motivo de orgulho e exibição; e uma serva que torna-se herdeira, pois essa mudança drástica a tornam orgulhosa e desrespeitosa.
O que não é humildade?
Já ouviram uma pessoa dizer que ela não é boa em determinada coisa para que os outros possam elogiá-la e dizer como ela está errada e como é, sim, boa naquilo?
Pois, isso não é humildade, é orgulho!
Quando Agur, nos primeiros versículos, diz que é “estúpido” para aprender a sabedoria, e mesmo assim escreveu um “provérbio de sabedoria”, parece o mesmo caso citado acima, mas não é. Estamos a falar aqui de sabedoria Divina, que só Deus é que tem, algo impossível de um ser humano, por mais génio que seja, algum dia compreender, de facto.
Humildade não é ter uma baixa-autoestima ou depreciar o que tu és e os teus dons e talentos o tempo todo; humildade não é ter vergonha ou ser tímida; humildade não é fingir que não consegues; humildade não é colocar a culpa em outras pessoas, nas tuas experiências ou traumas pelo que és e fazes, ou pelas tuas limitações; humildade não é vitimizar-se dependendo da situação; humildade não é concordar com toda a gente para ser a boazinha ou agradar os outros.
Humildade é algo profundo, uma atitude do coração humano, que de forma alguma consegue enganar a Deus, por mais que engane aos outros.
Evidências de que sou uma pessoa orgulhosa

O primeiro passo para a mudança é sempre reconhecer que estamos erradas, ou de que precisamos de ajuda. Nesse sentido, o primeiro passo rumo a uma vida de humildade é reconhecermos que somos orgulhosas.
Há uns anos atrás ouvi um estudo bíblico no Podcast do Ministério Aviva Nossos Corações (Revive Our Hearts), sobre este assunto, e fiz uma série de anotações (pois sabia que seria muito fácil de esquecer) das 40 evidências de orgulho na nossa vida que a Nancy, apresentadora do programa, citou. E, ainda bem que o fiz, assim posso partilhar contigo agora, apenas algumas.
Menosprezas no teu coração, e às vezes com atitudes, aqueles que têm menos educação, riqueza ou êxitos do que tu;
Achas que és mais espiritual do que pessoas na tua igreja, família, amigos ou outros cristãos;
És rápida em encontrar as falhas das outras pessoas e tens um espírito crítico com aqueles que tem um estilo de vida diferente da tua;
Tens uma língua afiada e crítica e estás constantemente a criticar ou a corrigir as pessoas ao teu redor;
És movida pela aprovação, elogio e aceitação dos outros (Será que precisas sempre receber um "tapinha nas costas" para não desanimar?), preocupas-te demasiado com o que pensam de ti, da tua reputação e da tua família ou amigos;
Gostas de discutir, porque precisas ter a última palavra. A tua forma de fazer as coisas ou de ver o mundo é a única certa. Não consegues admitir que estás errada, que tens falhas ou que precisas de ajuda;
Ficas magoada com frequência, ofendes-te por tudo e por nada, tens um espírito delicado e sensível. Ficas magoada quando os teus logros e atos de serviço não são reconhecidos ou recompensados;
Falas o tempo todo de ti, da tua família, das coisas da tua vida, das tuas experiências, das tuas preocupações. Estás mais preocupada contigo mesma, com a tua vida;
Evitas estar ao redor de certas pessoas, porque te sentes inferior ao comparar-te com elas. Não convidas pessoas à tua casa, porque achas que não tens luxos suficientes ou coisas para chamar a atenção (ou achas que tens demasiado e ficas com "pena" dos outros);
Estás sempre a reclamar, porque achas que mereces mais do que tens. Deixas de lado a oração, a leitura da Bíblia e a tua relação com Deus, pois achas que sabes cuidar da tua vida e que não precisas de ninguém, nem de Deus.
A lista poderia continuar, mas será que já não temos muitas destas para resolver?
O orgulho é enganarmos a nós mesmas, tendo a percepção errada de quem somos e do que merecemos. O primeiro conselho de Agur, faz-nos refletir como a humildade é importante e necessária para ter uma vida com Deus. Afinal, o Senhor abomina o orgulho (Pv. 16:5; 6:16-17), e como filhas de Deus, e assim como Agur, também deveríamos menosprezar o orgulho, ter repulsa dele, e buscar constantemente a humildade.
Como viver em humildade?
Em primeiro lugar, devemos reconhecer que precisamos de ajuda. Precisamos orar a Deus e pedir que Ele abra os nossos olhos, da cegueira do orgulho, e que sonde o nosso coração e mostre aquilo que tem envenenado os nossos pensamentos, atitudes, palavras e forma de viver.
Depois do arrependimento, precisamos descer do nosso pedestal e colocar Deus no lugar de Deus. É uma escolha diária em estar conscientes de deixar Deus ser Deus, e de reconhecer que precisamos desesperadamente dEle para podermos viver cada dia. É estar completamente rendidas e dependentes de Deus, para que Ele tenha livre acesso para trabalhar no nosso coração.
E, assim, através da sua Palavra, da constante busca por Ele, pelas Suas coisas e pelo serviço a Ele, começar a ser transformadas pela Verdade e permitir que os Seus preceitos sejam enraizados no nosso coração.
Existe tanta beleza em uma vida que busca a humildade e a simplicidade! Agur, como tantos outros, descobriu isso e, pela inspiração de Deus, deixou para nós esse conselho de vida que pode nos transformar, se assim o permitirmos.
Querida companheira de jornada, faz uma reflexão agora sobre o orgulho na tua vida. Quais dos itens da lista tens experimentado na tua vida? Ora ao Senhor e pede que Ele abra os teus olhos e te ajude a ver o que precisa ser mudado.
Fica atenta ao próximo conselho de Agur!
- Débora🌻
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📚 Leituras e referências (Uma vida que busca a humildade)
Agur - Meaning and Verses, Bible Encyclopedia: https://www.biblestudytools.com/encyclopedias/isbe/agur.html
A Pride Test, Revive Our Hearts: https://www.reviveourhearts.com/podcast/revive-our-hearts/pride-test/
Jewish Encyclopedia: https://jewishencyclopedia.com/articles/927-agur-ben-jakeh
Bíblia Missionária de Estudo - Almeida Revista e Atualizada
Biblia de Estudio Macarthur - Reina Valera 1960
Love the Life You Never Wanted, Desiring God: https://www.desiringgod.org/articles/love-the-life-you-never-wanted
Manual de Introdução ao Velho Testamento - Professor David Booth - Seminário Teológico Baptista de Queluz
PFEIFFER, C.F.; VOS, H.F.; REA J. Dicionário Bíblico Wycliffe. CPAD, 2000.
Provérbios 30, Bible Hub: https://biblehub.com/commentaries/proverbs/30-1.htm















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