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Quando os papéis se invertem: a história de Débora e o que ela nos ensina

Débora debaixo da Palmeira a julgar o povo

(imagem criada com IA)



Muito se tem falado e distorcido sobre o que é ser mulher e ser homem nos últimos tempos e, talvez, desde sempre. Infelizmente, muitos dentro da igreja têm ido à Bíblia a fim de dar pretexto à sua conformação com este mundo. 


É frustrante ver a verdade ser descaradamente distorcida por pessoas que dizem ser seguidoras de Cristo. 


Um dos exemplos mais distorcidos, no Antigo Testamento, é a história de Débora, que sempre teve importância para mim, por conta do meu nome ter sido dado por causa dela e do seu significado.


No entanto, confesso que foi sempre com superficialidade que gostei deste episódio de Juízes, o que mudou há algum tempo atrás, quando optei por fazer um trabalho sobre o tema no Seminário Teológico Baptista.


Muitas coisas tenho aprendido, desde que entrei, em 2023, e mesmo tendo muito por aprender, pensei em partilhar aquilo que estudei e dar luz, na história de Débora, a uma das lições essenciais quando se trata de interpretação bíblica: contexto, contexto, contexto!




Contexto de Juízes

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O livro de Juízes começa com a morte de Josué. Ainda nessa altura, o povo consultava ao Senhor sobre as decisões que deveriam tomar e a direção para o que deveriam fazer. O capítulo 2 de Juízes narra como o povo serviu ao Senhor todos os dias do seu líder Josué “e todos os dias dos anciãos que ainda sobreviveram por muito tempo depois de Josué e que viram todas as grandes obras feitas pelo Senhor a Israel.” (Jz. 2:7). 


No entanto, outra geração se levantou, que não conhecia o Senhor, nem as obras que havia feito.“Então, fizeram os filhos de Israel o que era mau perante o Senhor; pois serviram aos baalins. Deixaram o Senhor, Deus de seus pais, que os tirara da terra do Egito, e foram-se após outros deuses, dentre os deuses das gentes que havia ao redor deles, e os adoraram, e provocaram o Senhor à ira. Porquanto deixaram o Senhor e serviram a Baal e a Astarote. ” (Jz. 2:11-13). 


A geração anterior havia falhado em seu testemunho!

Desta forma, o povo de Israel começa numa grande corrida de montanha russa, um ciclo vicioso de altos e baixos, perto e longe do Senhor, o que cobre cerca de trezentos e cinquenta anos de história até ao último juiz, Samuel.


A frase que mais ecoa no decorrer do livro é a de que, “naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto.” (Jz. 17:6). E, assim, o povo que havia abandonado ao Senhor, havia-se também desviado do seu propósito: o de proclamar ao mundo, com a sua forma de viver, proceder e ser, a existência de um único Deus verdadeiro.


As dificuldades de Israel se dão por conta da sua desobediência e rebeldia contra Deus. Em vez de exterminar os inimigos que habitavam a terra, como Deus havia ordenado em Deuteronômio 7, adotaram os seus ídolos e deixaram-se corromper por seus maus costumes e imoralidade.


Vemos uma sequência de “não expulsaram” no capítulo 1 de juízes: Jz. 1:21; 1:27; 1:29-31; 1:33, o que levou à consequência de fracasso e dor, pois a ira do Senhor se havia acendido contra o povo: “e os entregou na mão dos espoliadores que os despojaram; e os entregou na mão dos seus inimigos ao redor; e não puderam mais resistir diante dos seus inimigos. Por onde quer que saíam, a mão do Senhor era contra eles para mal, como o Senhor tinha falado, e como o Senhor lhes tinha jurado; e estavam em grande aflição.” (Jz. 2:14-15). 


O povo, em sofrimento, voltava-se a lembrar do Senhor, e clamava por libertação. Deus, em sua infinita misericórdia e graça, levantava juízes para livrá-los da opressão de seus inimigos e era com eles, a fim de os guiar na árdua tarefa de ajudar o povo a voltar para o caminho de santidade e obediência. No entanto, eles não deram ouvidos aos juízes e apenas buscavam a Deus por curto tempo, enquanto o juiz vivia, mas logo em seguida voltavam à sua iniquidade (Jz. 2:16-23)


Neste ciclo vicioso encontramos o pano de fundo para a história de Débora.


Débora

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Após oitenta anos de paz, depois da conquista do último juiz, o povo de Israel voltou a fazer o que era mau perante o Senhor (Jz 4:1), e como consequência foram oprimidos pelo rei de Canaã, Jabim, e o seu comandante de exército, Sísera. 


Sob dura opressão, os filhos de Israel clamaram ao Senhor, e Ele levantou, desta vez, uma juíza: Débora.


Débora, do hebraico, significa “abelha”, um significado interessante, que alguns atribuem à juíza como apenas um título, mas tendo em conta outras citações bíblicas do nome, aceita-se como o nome próprio desta notável mulher. Como Cornelius a Lapide menciona, ela tinha “um ferrão para os inimigos e mel para os amigos”.


Pouco se menciona sobre Débora, apenas que era profetisa, mulher de Lapidote, que julgava a Israel naquele tempo e que atendia debaixo da palmeira de Débora, na região de Efraim, onde os filhos de Israel iam a ela para juízo ((Jz. 4:4-5). Quatro coisas que, também, podem dizer muito.


Débora foi a única juíza ou governante mulher de qualquer tipo na história judaica, exceto Atalia (que usurpou o reinado - 2 Cr. 22:10-23:15), e também é a única juíza a quem o título de “profeta” é expressamente dado. Nesse sentido, profetisa implica uma pessoa com dons poéticos e proféticos, alguém inspirado para declarar a vontade e os mandamentos de Deus. Vemos isso em suas previsões, ao longo do capítulo 4 de juízes e no seu cântico de vitória no capítulo 5.


Se pouco sabemos sobre Débora, menos ainda sabemos de seu marido, Lapidote. Para alguns comentaristas, Lapidote pode ser um lugar ou um título, tendo em conta a terminação feminina incomum do nome, mas não completamente impossível. Poderia significar que Débora era de Lapidote, um lugar, ou uma mulher de “luz ou de esplendor”, pelo significado do nome. No entanto, o consenso é de que Lapidote era, de facto, o nome do marido de Débora, que é citado apenas neste versículo, neste contexto.


Débora julgava a Israel naquele tempo, o que tem a conotação de uma pessoa que pacificava as situações e tomava decisões legais, conforme a justiça divina. Como juíza, o seu papel também era de exortar o povo ao arrependimento. Provavelmente não era uma pessoa muito jovem, mas, sim, sábia.


Alguns comentaristas dizem que a Palmeira onde Débora atendia aos filhos de Israel, é chamada de “Palmeira de Débora”, por causa da ama de Rebeca, que, quando morreu, foi sepultada debaixo de uma árvore (carvalho), chamada Alom-Bacute, na região de Betel (Gn. 35:8), mesma região que se encontrava a Palmeira (Jz. 4:5), logo, seria uma Palmeira que se encontrava no lugar conhecido como a sepultura de Débora. Outros, dizem que tinha esse nome, por causa da própria juíza Débora, porque era como se fosse o “escritório” onde conheciam que ela atendia ao povo.


Se nunca leste esta história antes, esta é a hora de ires ler os capítulos 4 e 5 de Juízes e depois voltares para continuar a ler o Bee Blog 😉


A Batalha


Continuando com a história…


Débora a transmitir a Palavra do Senhor a Baraque, debaixo da Palmeira

(imagem criada com IA)


Certo dia, Débora manda chamar a Baraque e lhe transmite o que o Senhor lhe havia revelado: Ele entregaria a Sísera e a Jabim nas mãos do povo de Israel (Jz. 4:7), portanto, Baraque deveria juntar dez mil homens das tribos de Zebulom e Naftali e subir ao monte Tabor para guerrear contra o exército de Canaã. No entanto, a incredulidade e covardia de Baraque é evidente quando ele diz que apenas irá se Débora com ele for. Ela, então, diz que vai, mas que a honra da vitória não será dele, pois o Senhor entregaria a Sísera nas mãos de uma mulher (Jz. 4:8-9)


Baraque juntou dez mil homens e subiram ao monte Tabor. Débora foi com eles. Sísera foi avisado. Eram dez mil contra novecentos carros de ferro e todo o povo de Harosete-Hagoim. A guerra havia começado!


Débora encoraja a Baraque: “Dispõe-te, porque este é o dia em que o SENHOR entregou a Sísera nas tuas mãos; porventura o SENHOR não saiu adiante de ti?” Jz. 4:14. Baraque desce de encontro ao exército de Sísera, e “o SENHOR derrotou a Sísera” (Jz.4:15).


Quando Deus guerreia pelo seu povo, Ele o faz de forma a mostrar o Seu grande poder!

Todos os carros e todo o exército foram derrotados. Sísera fugiu a pé, e nenhum, sequer, dos do exército escapou.




A Vitória


Ora, Héber, um homem queneu, vivia em tendas até Zaananim, junto a Quedes (Jz. 4:11). A sua casa estava em paz com Jabim,o rei cananeu. 


Assim, Jael, a mulher de Héber, sai ao encontro de Sísera e o abriga em sua tenda. Ela o trata da melhor forma possível, dá-lhe uma coberta, em vez de água, dá-lhe leite e o cobre, como a um menino pronto a ir dormir. “Então, Jael, mulher de Héber, tomou uma estaca da tenda, e lançou mão de um martelo, e foi-se mansamente a ele, e lhe cravou a estaca na fonte, de sorte que penetrou na terra, estando ele em profundo sono e mui exausto; e, assim, morreu” Jz. 4:21. Jael provavelmente estava acostumada a usar a estaca e o martelo para montar as suas tendas, eram ferramentas que ela sabia usar com excelência e tinha a força para isso de tanto o fazer. 


Jael a usar uma estaca para matar Sísera enquanto dorme

(imagem criada com IA)


Quando Baraque chega à casa de Jael, em perseguição a Sísera, ela o chama para dentro da tenda e lhe mostra o seu inimigo morto.


“Assim, Deus, naquele dia, humilhou a Jabim, rei de Canaã, diante dos filhos de Israel. E cada vez mais a mão dos filhos de Israel prevalecia contra Jabim, rei de Canaã, até que o exterminaram” Jz. 4:23-24.



Quando os papéis se invertem


É interessante notar como a primeira, e única, vez em que vemos uma mulher “à frente” de Israel é no contexto de Juízes, um tempo em que cada um fazia o que achava melhor e quando a maior parte do povo não acreditava nem conhecia a Deus verdadeiramente.


Tendo em conta que naquela época as mulheres não tinham o valor que têm hoje – por causa do pecado e da incredulidade dos homens – Débora é levantada por Deus como mãe da nação, como alguém inspirada para transmitir a Sua vontade, o que nos leva a perceber o estado decadente do povo.


Os homens haviam abandonado a fé, e estavam acovardados, como meninos, sendo o primeiro exemplo, Baraque, que devia ter sido o juiz que livraria o povo dos cananeus (em vez de Débora, sim).


Em todo o livro de Juízes vemos como Deus deseja engrandecer o Seu nome e mostrar ao povo que Ele era o Rei. No entanto, o povo não cria nas grandiosas obras que o Senhor fazia através de cada juiz, cada qual com o seu nível de fraqueza, desta vez, “até” uma mulher, que foi, e é, a exceção.


Não pretendo ignorar a coragem de Débora, obviamente! Ela é um extraordinário exemplo de mulher a ser seguido. Além de ser uma pessoa temente e obediente a Deus, e que amava o seu povo, ela estava, humildemente, disponível na hora necessária. 


No entanto, tampouco podemos ignorar o cenário improvável que apenas Deus poderia montar. Ele dá a honra da vitória a uma mulher, o que é, praticamente, ridículo para o contexto e completamente humilhante para aqueles homens que haviam fracassado em todos os sentidos, principalmente em sua natureza e propósito.


No cântico de vitória, que Débora entoa a seguir da conquista, juntamente com Baraque e o povo (Jz. 5) – que vamos ver melhor no próximo artigo desta série – percebemos como ela tinha a compreensão de que a glória era de Deus. 


Em sua bela poesia, ela fala de três mulheres e seus contrastes. A primeira é ela mesma, que foi obediente ao Senhor para ser mãe em Israel, um título que ela se dá, tendo a percepção de que ela não era uma guerreira, chefe ou governante, mas sim uma mãe, que acolhe, cuida, aconselha, auxilia e ajuda. 


Débora vai à guerra junto com Baraque, como uma presença da parte de Deus, mas em nenhum momento ela toma a frente, em vez disso, o seu papel foi de encorajamento ao seu povo que sofria. Ela foi uma mulher que serviu com coragem e submissão. 


Tanto ainda há para falar desta história…


Mas, podemos concluir, ao olhar para o contexto, e aplicando para os nossos dias, que quando os homens abandonam a Deus, e a sua natureza, não tomando a iniciativa como líderes, protetores, provedores, defensores e fortalezas de suas famílias, igrejas e sociedade, todos sofrem como um todo. Os papéis se invertem e o propósito de Deus é frustrado!


Como mulheres, acredito que Deus nos chama a auxiliar os nossos maridos, pais, irmãos, amigos, e homens ao nosso redor, a regressarem para o seu lugar, junto ao Senhor, e a deixarem-nos ser mulheres como Deus nos criou para ser. 


Uma sociedade com os valores invertidos traz apenas dor sobre si e é hora da Igreja (e nós, como mulheres cristãs) reivindicar aquilo que é seu (e nosso) por direito: a concepção do que é ser homem e ser mulher.



Querida companheira de jornada, que Deus nos ajude nessa árdua tarefa e que possamos estar disponíveis para o que Deus deseja fazer em e através de nós.


Fica atenta ao próximo artigo, sobre o Cântico de Débora.

- Débora🌻


Nada melhor do que falarmos sobre Débora no "mês das mulheres". Fica atenta para os próximos conteúdos do Bee Blog!


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📚 Leituras e referências (A história de Débora)


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